Um Nobre Pedido na Conversão de Saulo

A conversão de Saulo no caminho de Damasco

...mas levanta-te e entra na cidade, onde te dirão o que te convém fazer. - ATOS 9:6

E SAULO, respirando ainda ameaças, e mortes contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote, e pediu-lhe cartas para Damasco, para as sinagogas, a fim de que, se encontrasse alguns daquela seita, quer homens, quer mulheres, os conduzisse presos a Jerusalém. 

E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu. E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?

E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões. E ele, tremendo e atônito, disse: Senhor, que queres que eu faça? E disse-lhe o Senhor: Levanta-te, e entra na cidade, e lá te será dito o que te convém fazer.

E os varões, que iam com ele, pararam espantados, ouvindo a voz, mas não vendo ninguém. E Saulo levantou-se da terra, e, abrindo os olhos, não via a ninguém. E, guiando-o pela mão, o conduziram a Damasco. E esteve três dias sem ver, e não comeu nem bebeu.

Como estudante de seminário, muitas vezes fiquei impressionado com  as histórias de cristãos que foram grandemente usados por Deus. Por isto, pedi ao Senhor que me desse o mesmo discernimento e poder espiritual que eles tiveram. Aparentemente este pedido parecia ser bastante nobre. Mas certo dia, compreendi que, na verdade, era uma oração egocêntrica. Então, em vez de pedir a Deus que me fizesse como os outros, comecei a pedir que me mostrasse o que Ele queria que eu fosse.

Saulo de Tarso fez duas perguntas quando se converteu no caminho para Damasco. A primeira foi: "Quem és tu, Senhor?" Em seguida, compreendendo que estava na presença do Deus vivo, fez a única pergunta que importava naquele momento: "Que devo fazer, Senhor?" (Atos 9:5,6). Ele reconheceu que a obediência à vontade de Deus deveria ser o seu foco central pelo resto da vida.

Pedidos por saúde, cura, sucesso e até mesmo poder espiritual não são errados, mas podem se tornar orações egoístas se não provêm de um coração disposto a obedecer a Deus. Jesus disse: "Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai..." (João 14:21). A obediência expressa o nosso amor a Deus e nos capacita a experimentarmos o Seu amor por nós. 

Na hora da luta, da aflição e dor, oramos pedindo livramento. Muitas vezes esses acontecimentos são o nosso livramento. Não queremos ter problemas, não queremos sentir dor. Nós desejamos o prazer, tranquilidade, dinheiro, saúde e conforto. Mas o cristão sem lutas, também será um cristão sem vitórias.

Muitas vezes você será perseguido por causa dos seus sonhos e será jogado numa cisterna e vendido por seus irmãos, para se tornar um ministro de Deus no Egito.

Muitas vezes você precisará andar nú e descalço pela cidade onde mora, para se tornar o maior profeta do seu tempo.

Muitas vezes você precisará ser preso e jogado numa masmorra, para ouvir a voz de DEUS e transmitir aos seus conterrâneos. Fala e não te cales... Eu serei com tua boca e te ensinarei o que hás de falar! E ninguém poderá te resistir.

 Muitas vezes você precisará matar um animal feroz e da carcaça desse animal ver a produção do mel. Muitas vezes você precisará pular na cova dos Leões e fechar a boca dos mesmos. Muitas vezes você precisará pular numa fornalha de fogo ardente e assim mostrar o Poder de Deus em sua vida.

Você já fez este pedido nobre: "Senhor, o, que queres que eu faça?" 

Jesus nos deu o exemplo: Dizendo: Pai, se queres... todavia não se faça a minha vontade, mas a Tua. Lucas 22:42

Deus tem poder de converter o perseguidor em pregador do Evangelho».

Visto que esta é a conversão mais notável recordada na Bíblia, pode-se considerar: que a conversão é necessária e como se efetua traz resultado. Pode-se distinguir entre convicção, conversão e continuação na carreira cristã.

Podemos usar as seguintes divisões:

1. Considerando a Conversão de Saulo se originou na graça divina. Foi um ato de pura graça, Jesus manifestar-Se assim ao Seu grande inimigo, falar com ele, adverti-lo, ensinar-lhe como havia de proceder.

- Resultou de uma ocupação imediata com Cristo; de O ver, ouvir, obedecer. Paulo a descreve como uma revelação de Cristo à sua alma (Gl 1.15,16).

- Produziu a obediência da fé» (At 26.19).

2. Notemos que era bem diferente de algumas conversões modernas, em que:

- Não resultou de uma discussão intelectual; - Não resultou de um interesse material; - Não resultou de um medo do inferno ou de um desejo de ganhar o céu. Contemplava o imediato serviço de Cristo aqui neste mundo.

3. As palavras duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões. E ele, tremendo e atonito, disse: Senhor, que queres que faça? E disse-lhe o Senhor não se encontram nos s mais antigos manuscritos gregos nem na Versão Brasileira. 

Encontram-se, porém, em 26.14. A figura é do boi, picado pelo guia, que em vez de apressar a marcha, dá coices. Cuidado para não ensinar que «os aguilhões» signifiquem «o Evangelho. O boi não recebe uma boa notícia quando picado pelo guia. Os aguilhões figuram as provações, às vezes agudas, com que Deus nos cerca, a fim de guiar-nos na senda da Sua vontade.

4. A completa Consagração de Saulo ao serviço do seu Senhor não havia de ser momentânea. Necessitava certas circunstâncias favoráveis:

a) Despreocupação dos interesses desta vida. Durante os dias da sua cegueira, Saulo tinha sossego suficiente para meditar na vi- são celestial e a sua significação. Vemos a comoção do seu espí- rito no fato de ele jejuar (v. 9).

b) A manifestação do amor dos irmãos mediante a visita de Ananias.

c) A declaração que havia de receber de Deus a graça do Espí- rito Santo.

d) Seu batismo, que o identificou ritualmente com os segui- dores de Cristo.

3. A sua Confissão de Cristo era corajosa, enérgica, positiva, bíblica.

Notemos seu assunto: Jesus o Filho de Deus, e Jesus, o Cristo. Qual é a significação de ambas estas verdades?

O Senhor se referiu a Saulo como «um vaso escolhido» (v. 15). Vemos o vaso primeiro despejado de todo o egoísmo, fanatismo judaico, orgulho e arrogância, e depois levado, cego e quebrantado, a Damasco, para ser cheio (v. 17) com o tesouro do Evangelho (2 Co 4.6).

Conclusão: Cada ouvinte deve pensar: Que tem sido minha visão de Cristo? De que tenho sido convertido? Qual o serviço que Deus me tem confiado?

Pastor Jakson de Souza Bragança - YouTube


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