Parábola do Bom Samaritano - Mensagem Pastoral

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No nosso contexto moderno, as histórias de dor e sofrimento na TV e nos jornais são tão comuns que não provocam mais comoção na gente.

Nas ruas são tantas as pessoas que pedem nossa ajuda que nem as notamos mais.

É uma criança pedindo comida, um bêbado dormindo na calçada, uma senhora gritando que foi assaltada, um senhor sem forças para atravessar a rua...

Para onde foram os nossos sentimentos em situações como essas? Parecem até que se desligaram, e só vão voltar a funcionar se quem sofre é um colega, um amigo, um vizinho, um parente, um irmão, uma irmã, o pai ou a mãe.

Nós corremos para ajudar as pessoas de que gostamos, mas ignoramos os pedidos de socorro dos desconhecidos. Geralmente nossas ações de amor estão condicionadas a algum tipo de intimidade.

É justamente aqui que a parábola de Jesus se torna relevante. Ela nos mostra o que é amor, como praticá-lo e com quem praticá-lo.

O Estopim da Parábola

No meio de um grupo de ouvintes estava um professor judeu que ouvia Jesus. Suas intenções não eram das mais saudáveis. Queria testar o rabino de Nazaré, tentar provar que ele estava errado em algum ponto de seu ensino. O escriba se levantou e interrogou Jesus.

Você já presenciou alguém fazer uma pergunta, já tendo a resposta, apenas para testar o professor ou provar que é um sabe-tudo?

Era isso o que estava fazendo aquele homem. Não teve sucesso, no entanto, porque Jesus percebeu logo e devolveu a questão.

Curiosamente, Jesus obteve a mesma resposta que ele já havia dado em outro momento (leia Mc 12:30-31 - é uma combinação de Dt 6.5 e Lv 19.18): "Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo."

Em outras palavras, vida eterna seria conseguida amando a Deus e ao próximo de forma autêntica e integral.

O restante do diálogo chega a nos surpreender. Jesus, em vez de dizer para ele que não se podia fazer nada para herdar a vida eterna, que a vida que Deus dá não podia ser comprada com obras, simplesmente acrescentou: "Respondeste bem; faze isso, e viverás."

Isso deve ter provocado um senti- mento de vitória no escriba. Apesar de não conseguir encontrar falhas em Jesus, pelo menos conseguira confirmar seu ponto de vista sobre salvação.

Só faltava um detalhe: confirmar quem seria esse tal de próximo a quem o texto bíblico se referia. Se ele precisasse amar apenas os familiares, amigos ou vizinhos, se daria por satisfeito. Estava no caminho certo. Fazia por merecer a vida eterna. Assim fez sua segunda pergunta: "E quem é o meu próximo?"

A parábola do samaritano foi a resposta a essa segunda pergunta. Com ela Jesus acabou com as esperanças do inquiridor de merecer algo de Deus. No final, todos em volta souberam que é impossível fazer algo para entrar no Reino de Deus. Não há possibilidade alguma de alguém tornar-se merecedor do maior presente de Deus: a vida eterna.

A Parábola Contada

Jesus narra a história de um homem, possivelmente um judeu, que descia de Jerusalém para Jericó. Era uma viagem perigosa, com cerca de 27 km de curvas sinuosas e apertadas. Como aquele homem estava viajando sozinho, era um típico alvo para os assaltantes.

Foi exatamente o que aconteceu: ele foi espancado, despido e deixado desmaiado à beira da estrada. Sua situação tornou-o praticamente irreconhecível.

Num lugar como a Palestina, onde todos são muito parecidos, o que diferencia um povo do outro é a roupa e a língua (exatamente como diferenciamos um baiano de um gaúcho, pelo sotaque e a roupa típica). Como o ferido estava desmaiado (não podia falar) e nu, ninguém poderia saber se ele era um judeu, um samaritano ou um estrangeiro.

Jesus introduz na parábola, então, dois outros personagens que desciam pelo mesmo caminho. O primeiro deles era um sacerdote, e o segundo um levita. A lei os obrigava a ajudarem os necessitados; mas também proibia-lhes o contato com um cadáver (Lv 21.1s).

Como eles só saberiam se o homem estava vivo se o tocassem, mas se o tocassem e ele estivesse morto ficariam impossibilitados de exercer suas atividades por um certo tempo, não quiseram arriscar.

Passaram para o outro lado do caminho.

Ao chegar a esse ponto da história, todos já imaginavam que Jesus incluiria agora na narrativa um judeu comum.

Essa era a ordem natural da cultura judaica: um sacerdote, um auxiliar do templo e um leigo judeu. Foi para espanto geral, entretanto, que no caminho, em vez de um judeu comum (como o professor que havia feito a indagação), surge um samaritano.

O efeito o de uma bomba. Afinal, não poderia existir naquele momento uma raça tão odiada pelos judeus como os samaritanos. Podemos imaginar o coração dos ouvintes a bater mais rápida seus olhos a avermelhar e seus rostos a ruborizar.

O espanto deve ter sido maior ainda por que a ajuda prestada pelo samaritano for gratuita e unilateral. Ele não sabia exata mente quem era o homem a quem estava ajudando nem tinha ideia se iria ser retribuído pelo favor.

Ainda assim, aplicou os primeiros socorros, carregou o doente na sua montaria até o alojamento mais próximo e pagou adiantado as despesas.

Assim terminou a história, ficando a lição gravada na mente dos ouvintes: se para herdar a vida eterna eu preciso amar o meu próximo como a mim mesmo, e se o meu próximo for quem precisar da minha ajuda, independente se eu gosto dele ou não, não tenho a menor condição de alcançar a vida.

É impossível fazer algo para herdar a vida eterna por conta própria. Jesus ensinou que porque o padrão de Deus é elevado demais. Essa lição seria ampliada posteriormente. Como as pessoas não tinham condições de cumprir a lei de Deus, seu próprio Filho veio cumpri-la por elas.

Assim, em vez de tentar conseguir a vida eterna através das obras, as pessoas irão ganhá-la pela fé (leia Ef 2:8-9)

A Parábola Aplicada

A grande lição da parábola já foi exposta. Mas é claro que lições secundárias também podem ser extraídas dela.

Uma delas é que o padrão ético estipulado por Jesus, apesar de impossível de ser alcançado, ainda permanece como um alvo a ser buscado: eu devo amar a todos.

O motivo disso é que, para Deus, o amor é algo que se faz e não que se diz ter. Amor é ação, é pratica. Não é sentimento.

Eu posso cansar de dizer que amo o meu irmão, mas se esse amor não for ativo e resultar em ações claras em prol desse irmão, com certeza não é amor.

Assim, se amor para Deus é ação e não necessariamente sentimento, eu tenho condições de amar pessoas mesmo que não as conheça, ou até mesmo se elas me tiverem feito algum mal.

Se eu esperar sentir algo pelas pessoas para ajudá-las, minha ajuda nunca vai se efetivar. E dessa forma que Deus me manda amar o adversário, aquele colega que me humilhou na sala de aula, aquele patrão que me roubou, aquele namorado ou namorada que me traiu.

Ele não manda eu sentir coisas boas por todas as pessoas, o que realmente seria impossível mas impulsiona-me a agir com amor em benefício de cada uma delas.

A parábola também é um ataque contra os preconceitos religiosos e raciais.

O que o religioso não fez, um inimigo nacional fez. Aquilo que a minha igreja não faz, um bandido pode estar fazendo.

A ação soberana de Deus não está limitada ao seu povo. Se este falhar em realizar sua vontade Deus usará outros meios.

Logo à frente, em Lc 19:40, Jesus vai dizer: "Digo-vos que, se estes se calarem, as pedras clamarão."

Muito nos humilha ver pessoas sem qualquer espirito cristão fazerem mais pelos pobres, pelos doentes, pelos sofredores, do que nós filhos de Deus.

É difícil saber o que feriu mais o homem à beira do caminho, se a violência dos Ladrões, ou a negligência dos religiosos. 

PARA GUARDAR NO SEU CORAÇÃO  - Lucas 10.27.

Pastor Jakson de Souza Bragança - YouTube


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